Como o Google Assistente vem deixando a Apple e a Siri para trás

Michael Simon, Macworld (EUA)
11 de outubro de 2017 às 11h53
Novos produtos do Google alimentados por sua assistente inteligente aumentam ainda mais o abismo entre as duas concorrentes

Você pode ter perdido as referências à Apple durante o evento Google Pixel 2 na semana passada, mas elas estavam lá. O vice-presidente de Gerenciamento de Produtos, Mario Queiroz, disse à multidão: "Não deixamos de lado recursos melhores para os dispositivos maiores". E não vamos esquecer da imagem de uma mulher tirando uma grande mordida de uma maçã durante o vídeo de introdução do Pixel 2.

Na verdade, parecia que todo novo produto do Google lançado na semana passada tinha uma mensagem aparentemente direcionada à Apple. Claro, o Google Pixel ainda tem um longo caminho a percorrer antes de começar a vender números parecidos com os do iPhone, mas há uma importante área onde a companhia está firmemente na liderança, e isso tem a ver com inteligência.

Em recente evento para apresentar o iPhone X, Tim Cook retirou a antiga frase de Wayne Gretzky frequentemente citada por Steve Jobs sobre ir para onde o fluxo está indo, mas há apenas uma empresa que está pensando a frente agora e não é a Apple - é o Google. O novo hardware da Apple pode ter sido o motivo do evento, mas a aprendizagem em máquina é a mais forte subcorrente, e a mensagem que o Google enviou foi clara: a nossa inteligência artificial é melhor que a sua, Apple.

Inteligência antes da beleza

O CEO do Google, Sundar Pichai, iniciou o evento Made by Google falando sobre seu tópico favorito: o aprendizado de máquinas. Além dos algoritmos de pesquisa estranhamente precisos, o Google está usando sua IA ​​para tornar seus produtos mais responsivos e adaptáveis ​​ao estilo de vida de cada usuário.

Não se trata de especificações (embora os telefones Pixel sejam realmente bons) ou design (embora o Google Home Max fique bem em qualquer sala). Na verdade, nenhum dos novos produtos do Google é tão interessante na superfície, mas o que está por dentro é um passo a frente antes do que a Apple está fazendo com a Siri e o iPhone X. Tratam-se de inteligências e o Google integrou sua assistente e a aprendizagem de máquinas em cada um dos seus dispositivos em um, ouso dizer, jeito Apple.

Há aqui o impulso: compre o Google Home Mini e o Max para colocar o Google Assistente em cada cômodo da sua casa. O Active Edge no Pixel permite que você aperte os lados do seu telefone para iniciar o Assistente. E os fones de ouvido Pixel Buds possuem um recurso de tradução ao vivo notável. 

Os produtos mais recentes do Google são projetados de dentro para fora para serem mais inteligentes do que belos, uma grande aposta de que os consumidores estão cansados ​​de gadgets bonitos que colocam a forma antes da função. E se estiverem certos, a Apple deve tentar recuperar o atraso nos próximos anos.

Conversas, não comandos

O primeiro alto falante inteligente da Apple não chegará ao mercado até dezembro, mas o Google já possui três. Quando foi anunciado em junho, o HomePod da Apple pareceu ter uma vantagem sobre o Google Home e a Amazon Echo com sensores para som de alta fidelidade, mas agora o Google Home Max aterrissou, e parece ser ainda melhor.

Como o HomePod, o Google Home Max usa o aprendizado de máquina para analisar o seu espaço para oferecer uma qualidade de som ótima, mas o método do Google é mais refinado e melhora o som com base na música que você está ouvindo, além de ajustar com base nos ambientes. Mas quando se trata de identidade, a verdadeira distinção fica com a assistente do Google.

A Apple melhorou os padrões de fala da Siri no iOS 11, mas, em sua maior parte, suas ambições de inteligência artificial têm sido relativamente conservadoras. A assistente do Google não é apenas melhor em reconhecer o que você está dizendo, é mais contextual e conversacional, o que leva a uma experiência melhor como um todo. E com o novo recurso de rotinas, você poderá combinar várias tarefas (como desligar as luzes, configurar um alarme e ativar seu sistema de segurança) com uma única frase. Ela até reconhece sua voz sobre a de outras pessoas em sua casa. Com a Siri, os comandos são ilhas para si mesmos, enquanto o Google Assistant é praticamente como falar com uma pessoa real.

Uma lente de câmera mais inteligente

Foi há apenas um ano, quando a assistente do Google se limitava aos telefones Pixel e ao Google Home, e agora ela está em todos os lugares: fones de ouvido, relógios, alto-falantes, sem mencionar centenas de milhões de telefones Android.

E agora o Google está se ramificando para além dos simples comandos de voz. Exclusivo para os telefones Pixel (pelo menos por enquanto) é um novo aplicativo chamado Google Lens. Ele tem o potencial de ser instrumental para o impulso da IA do Google, se não mais. 

Uma combinação de realidade aumentada e inteligência artificial, o Google Lens usa a câmera do seu smartphone para identificar edifícios ou flores, digitalizar e armazenar números de telefone, até mesmo inserir senhas Wi-Fi, tudo sem precisar brincar com vários aplicativos.

E esta não é uma caixa elegante para a assistente do Google, e sim um novo conjunto de habilidades. A Apple não tem nada perto desse tipo de funcionalidade, e o Google está pronto para começar a enviá-lo em algumas semanas. Se a companhia for tão rápida quanto exata quanto nas demonstrações do Google, será nada menos que um grande ator no universo de buscas.  

Um grande cérebro

O Google está em uma posição única para se destacar no espaço da inteligência artificial. Onde a Apple precisa se manter com um hardware digno para ser notada, o Google adotou uma abordagem utilitária para o seu projeto, bancando a IA para dirigir a experiência. 

O Pixel 2 não é tão bonito quanto o iPhone X ou mesmo o iPhone 8 para esse assunto, mas o Google está vendendo cérebros antes da beleza. Em seu primeiro ano, a Google Assistant avançou mais do que a Siri nos sete últimos. E está ficando mais inteligente todos os dias. Não só está basicamente em cada telefone que envia (incluindo iPhones), mas está em nossas casas, nossos carros, nos pulsos, coletando informações e aprendendo a responder melhor às nossas necessidades. E com o Google Lens, não há como dizer o quão inteligente será nesta época no próximo ano.

O Google talvez nunca crie um telefone tão bonito quanto o iPhone X. Mas uma coisa é certa: está mais perto do que a Apple em fazer um que seja mais inteligente.

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