iPhone 3G: o primeiro review

Matthew JC. Powell, Macworld/Austrália
10/07/2008 - 12h44 - Atualizada em 10/07/2008 - 12h56
Nova versão do aparelho cumpre maior parte do que promete, mas ainda falha no gerenciamento de e-mails e o 3G drena a bateria.

Poucos aparelhos foram tão falados quanto o iPhone. O aparelho chega à Austrália um ano depois da sua estréia no mercado norte-americano, e a opção de comprá-lo oficialmente aumentou ainda mais a badalação em torno do telefone. É difícil acreditar que qualquer gadget sobreviva a tantas expectativas. E será que o iPhone cumpre o que promete?
A resposta é sim. E não.

O iPhone 3G, que começa a ser vendido dia 11 nos Estados Unidos e em outros países, é uma versão melhorada do aparelho original, com acesso a redes 3G mais rápida, tem GPS verdadeiro, não aquele truque usado pelo primeiro aparelho que usa a triangulação das redes de celular. E tem uma parte traseira em plástico, que o torna menos iPod touch e mais um telefone de verdade.

Estou usando o iPhone 3G faz algumas semanas. Como estou na Austrália, usei as redes da Optus e da Vodafone a maioria do tempo, mas não tive muita chance de usar a rede Telstra NextG antes de escrever isso. Alguns serviços complementares ao iPhone 3G, como a App Store e o MobileMe, não haviam sido lançados ainda enquanto escrevo.

Nesta avaliação, eu comparo o iPhone 3G com o BlackBerry 8300. Isso ocorreu porque é o aparelho que eu testei antes e porque a RIM é, de muitas maneiras, a maior concorrente da Apple no mercado de smartphones.

Antes de tudo, um telefone
Existe uma razão pela qual a Apple não chamou o seu aparelho de “iPod phone” ou algo parecido. É, em primeiro lugar, um bom telefone. Foi um desafio encontrar qualquer lugar onde não havia sinal no iPhone. Consegui fazer e receber ligações até sete subsolos abaixo em um elevador de garagem. Isso é impressionante, e a qualidade dos telefonemas no subsolo soaram claras, já que o iPhone tira o máximo do sinal, ainda que limitado.

Tocar no ícone Phone na tela abre um grande teclado alfanumérico. Uma vez que você discou, outra tela traz opções para colocar a chamada em viva-voz, mudo, em espera, adicionar outra chamada ou trazer à frente sua lista de contatos.

Os contatos são sincronizados com a Agenda do Mac OS X e, com um toque, você liga, envia um SMS ou e-mail para qualquer um da lista.  A tela Settings permite configurar a maioria das funções do iPhone, mas não tantas quantas você gostaria de modificar.

Uma coisa que eu gosto no BlackBerry 8300 como telefone é a facilidade de chegar aos seus favoritos, por meio do teclado. Ele permite determinar qualquer tecla para um número a ser discado em seus contatos. São 26 favoritos, acessíveis a uma única tecla.

A lista de favoritos do iPhone não é tão inteligente, mas sem um teclado QWERTY físico, também como poderia? Em vez disso, você pressiona o botão Home (o único botão existente na frente do aparelho) duas vezes e a lista de favoritos aparece. Apenas oito contatos selecionados aparecem por vez, mas a navegação entre eles está na ponta do dedo e você pode ter mais de 26, se necessário. E um toque faz a ligação.

O alto-falante também é bom e alto, mostrando-se eficiente quando você quer conversar sem precisar encostar o ouvido ao telefone. E diferente do BlackBerry, quando eu ligava para alguém do viva-voz, ela nunca conseguia saber se eu estava no fone ou no viva-voz.
++++
Internet para viagem
Outro ponto notável do iPhone é permitir acesso à internet de qualquer lugar onde você estiver. A adição do 3G é uma proposta atraente, pelo menos se sua operadora oferecer o serviço na sua região.

O iPhone vem com uma versão móvel do Safari pré-instalada. Ainda não está claro se a Apple vai ou não permitir que outros desenvolvedores criem um novo navegador par ao telefone. Como usuário do Camino, espero que sim.

Entretanto, mesmo o browser que já vem no iPhone é muito superior a qualquer outro navegador que já usei em um celular. Como na maioria dos telefones, até os bons como o BlackBerry 8300, eu hesitei na hora de navegar na web, já que usabilidade e velocidade são ruins, na maioria dos casos.

Isso não ocorre no iPhone. A tela grande e brilhante e a interação simples com a interface touch torna muito mais fácil de interagir do que outros navegadores.

É a interface que faz a diferença aqui.  Usar uma barra de rolagem, uma bolinha no teclado ou até mesmo uma caneta stylus para navegar não funciona do mesmo jeito intuitivo que tocar, arrastar, soltar.

Assim como o navegador, outros programas que usam dados vêm instalados no iPhone, como widgets de previsão do tempo ou para acompanhar ações. Não consegui atualizar o tempo na rede da Optus, mas com a Vodafone ou por Wi-Fi funcionou.

E, claro, o YouTube está lá. Se você achava que o site de vídeo era ótimo para matar tempo no trabalho, espere até ver o YouTube em um aparelho móvel – vai se distrair a caminho do trabalho agora. Buscar vídeos é fácil, o download nas redes 3G é bem rápido e tudo que foi mais ou menos feito com alguma qualidade (e um bom encoder) aparece bem na tela wide.

Mas, antes de comprar um iPhone, veja se está feliz com o plano de dados da sua operadora. Diferente de outros aparelhos, você vai acessar mesmo a internet com ele.
Um problema do iPhone é que, diferente do BlackBerry e de modelos da Sony Ericsson e da Nokia, o aparelho da Apple não pode ser usado como modem conectado via Bluetooth. 

Provavelmente isso é um requisito das operadoras e dos provedores de acesso, para que as pessoas não usem seus iPhones para se conectar a um navegador “real”. É uma pena, mesmo sendo um recurso que eu uso muito, mas é útil quando necessário.

A conexão Bluetooth do iPhone serve apenas para conectar os fones compatíveis e, quando faz isso, funciona bem e sem problemas. Usei um headset da Plantronics e tudo correu bem.

Cheque seu e-mail
Resolvi separar o e-mail dos demais aplicativos de internet, já que é uma área que requer atenção em particular.  Até então, o rei do e-mail corporativo é o BlackBerry, da RIM. Ele é um aparelho de e-mails com outras funcionalidades inseridas. Poderia até argumentar aqui que o e-mail no iPhone não é seu recurso principal.

No BlackBerry, você tem a opção de ver todas as mensagens das contas, incluindo os SMS, em uma única caixa de entrada, ou tê-las em listas separadas. Se você escolher essa última opção, pode ir direto para cada caixa separada pelo ícone na tela principal.

O iPhone, entretanto, separa todas as contas, e você as acessa ao clicar no ícone Mail na tela principal. Isso traz as diferentes contas à frente, escolha a sua e então em caixa de entrada para ver as mensagens. São três cliques contra um apenas no BlackBerry. Para uma empresa que preza tanto a interface do usuário, isso é um problema.

É claro que não há problema se você tem apenas uma conta de e-mail.

Ao ler uma mensagem, aparecem cinco ícones na parte inferior da tela: uma seta circular para “refresh” (útil se o e-mail demora a carregar), uma pasta com seta para “mover para uma nova pasta”, uma lixeira, uma seta apontando para a esquerda e para cima (o famoso “responder”) e um quadrado com uma linha dentro, para criar uma nova mensagem.

A opção “mover para uma nova pasta”  é útil apenas se você tem uma conta IMAP e criou pastas em seu computador. Não é possível criar novas pastas pelo iPhone – não ao menos de um jeito que eu consegui encontrar. Se você tem uma conta POP, aparece apenas a caixa de entrada, itens enviados e lixo. E só isso.

Você percebeu que eu não falei da existência de um ícone para encaminhar um e-mail. Na verdade, o ícone “reply”  dá três opções: responder, responder a todos e encaminhar. Não é como clicar Iniciar para desligar o micro, mas é tão confuso quanto.

E mencionei o local do “compor nova mensagem” porque ele está em um lugar no aplicativo de e-mail (no canto direito inferior da tela) e em outro no de SMS (canto superior direito da tela). No aplicativo de e-mail, o canto superior direito da tela sempre tem setas para movimentar entre mensagens ou, em modo lista, há o botão de editar para apagar ou mover e-mails em massa. Ter o botão “compor” em um aplicativo no mesmo lugar onde outro tem a opção “apagar” é um tanto não-Apple para mim.

Ah, sim, e ainda existem as notificações. O BlackBerry permite uma customização incrível no modo em que você é alertado quando recebe uma mensagem. Para cada contato, dá para definir um som a ser tocado quando ele envia um SMS ou um e-mail para cada conta diferente, assim como dá para usar ringtones customizados. Quando você se acostuma, é muito útil.

O iPhone, por outro lado, permite definir ringtones personalizados, e só isso. Dá para escolher sons pré-instalados para alertas de SMS, mas não posso incluir um novo. E para receber e-mails, contente-se com um som apenas, que pode ser desligado.

Poderia continuar com isso, mas não vou. Em resumo, se a Apple quer competir com a RIM no mercado de e-mail móvel, tem que fazer muito mais que isso. Ou deixar alguém criar um cliente melhor de e-mails para o iPhone.
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Ah sim, o iPod
Você sabe que a Apple produz um tocador de música muito popular, e suas funcionalidades são incorporadas ao iPhone.

Com 8 GB e 16 GB de armazenamento, o iPhone é um iPod muito limitado (comparado, digamos, aos 160 GB do iPod classic mais caro), a não ser que sua demanda por multimídia seja modesta demais que nem irá substituir um iPod principal. Uma pena, já que uma das premissas mais legais do iPhone é unir os dois aparelhos em um só.

Se você já usou um iPod touch, sabe que o iPhone 3G funciona do mesmo modo que um iPod. Busque álbuns com o Cover Flow, veja vídeos na tela widescreen e compre músicas na iTunes WiFi Store (não dá para comprar músicas via 3G e, acredite, isso é bom).

Uma diferença entre o iPhone e o iPod touch é que o telefone pode tocar música sem que os fones de ouvido estejam plugados. Afinal, ele tem alto-falantes, não? A qualidade do som não é a melhor, mas dá para fazer.

Outra coisa que o iPhone (e o iPod touch) não faz é gravar áudio, recurso presente em outros iPods com o uso de acessórios. Muita gente – incluindo jornalistas – usam seu iPod como gravador de voz e de notas, e o iPhone falha ao não permitir isso. Já passou da hora de alguém criar um microfone compatível.

Como qualquer outro iPod, você sincroniza seus dados do iPhone com o iTunes, incluindo sua Agenda, calendários do iCal e pastas do Mail (presumindo que você use o Mail, claro) entre o celular e o Mac. Diferente dos iPods convencionais, é útil ter esse tipo de informação no iPhone. E quando a App Store sair, você vai instalar programas via iTunes.

Um aborrecimento acontece quando você tira fotos com o iPhone: ao conectar o aparelho ao Mac, o iTunes abre para sincronizar músicas e dados e o iPhoto também abre. Não é pedir muito, mas já que dá para sincronizar as bibliotecas de fotos do iPhone pelo iTunes, por que o programa ainda abre? Seria muito mais elegante fazer tudo por um lugar só.

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Em uso
O iPhone é mais que um telefone, um iPod, um dispositivo móvel para internet e um cliente de e-mails.  É um produto que reúne todas essas partes, e é isso que o diferencia de outros dispositivos.

Na falta de melhor palavra para definir, o iPhone é algo divertido para usar, e isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

Primeiro, o custo dos dados em um celular: o iPhone é tentador para uso intensivo. Seja para ver páginas rápido, checar e-mail a cada 15 minutos para replicar a experiência do BlackBerry ou baixar mapas do Google só pra provar que você consegue, isso tem um custo alto. Alguns usuários vão achar que planos de 250 MB ou até 500 MB por mês são pouco. E isso pode trazer surpresas caras ao seu bolso.

Minha recomendação: quando der, use o Wi-Fi e desligue o 3G. Ajuda a economizar dinheiro com dados, o acesso é mais rápido e a bateria dura mais.

Falando em baterias, a rede 3G come energia como pipoca. E já que não é possível trocar a bateria do iPhone como em qualquer outro celular, você precisa ser conservador. Quando usei o iPhone em um modo, digamos, normal, descobri que não chegava ao fim do dia sem precisar recarregar. Acabei plugando o carregador na tomada ao lado da cama e um cabo USB no computador do trabalho, para recarregar sempre que possível. O BlackBerry não precisa de tanta vigilância.

Também descobri que às vezes tive engasgos quando troquei de uma rede para outra. Ao ir do 3G para o Wi-Fi, por exemplo, o telefone não conseguia encontrar meu servidor de e-mails e tive que reiniciar o iPhone para resolver o problema. Isso pode ser porque o aparelho que testei ainda não tinha o software final instalado, e não deve ser um problema em geral.

E o elefante na sala são os aplicativos de terceiros que ainda não estão disponíveis enquanto eu escrevo este review. Tive um breve contato com alguns aplicativos em uma máquina pré-configurada que a Apple me mostrou, mas não foi nada a fundo. O fato é que a App Store vai ampliar os horizontes do iPhone ao infinito. Com ela, o iPhone finalmente se torna uma plataforma de computação completa.

Conclusão
Eu gostei do iPhone 3G, mesmo com tudo que ele poderia fazer o aparelho ainda é uma delícia de usar. É um dos melhores telefones que já usei, um excelente navegador para equipamento móvel e, claro, é um iPod. Tem lá seus problemas com o cliente de e-mail, mas espero que a Apple ou alguém resolva isso.

E eu vou trocar o BlackBerry pelo iPhone? Com alguma relutância, sim. Não tenho nada contra o BlackBerry 8300 – e seu gerenciamento de e-mails é superior ao do iPhone –, porém o aparelho da Apple o supera em tantos outros recursos que a escolha é fácil.

iPhone 3G (Austrália)

PRÓ
Fácil de usar, navegação rápida, excelente media player.
CONTRA
Cliente de e-mails poderia melhorar, duração da bateria.
  • Nota da
    MacWorld:8.0

Fabricante: Apple

Preço: não divulgado para o Brasil ainda

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