iPhone 3G não desaponta

Jason Snell, Macworld/EUA
14/07/2008 - 16h46 - Atualizada em 15/07/2008 - 17h53
Aparelho é voltado para quem quer maior velocidade no acesso em relação ao iPhone original - caso contrário, recomendação é fazer upgrade do software.

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Quando o iPhone original foi lançado em junho de 2007, muita gente esperou com ansiedade nas filas das lojas da Apple e da AT&T. Mas outros tantos resolveram esperar um pouco para comprar o celular, sendo guiados pelo princípio cuidadoso do mundo da tecnologia: “Nunca compre uma versão 1.0”.

Com o lançamento do iPhone 3G e do sistema operacional iPhone 2.0, as filas e a badalação estão de volta, mas a era do iPhone 1.0 acabou de vez. Quem esperou um ano para ter a segunda edição do iPhone vai gostar da incrível melhoria na velocidade de acesso à rede de dados no celular e uma grande atualização no software, incluindo a capacidade de instalar programas de terceiros.

Para os donos de iPhone original, entretanto, a versão 3G é apenas um upgrade necessário para quem quiser aproveitar ao máximo as redes 3G.

Hardware
À primeira vista, o iPhone 3G parece muito com o iPhone original. Na frente está a tela sensível ao toque, com a resolução de 480 x 320 pixels. Ao colocar os dois modelos lado a lado, dá para perceber que o iPhone 3G é um pouquinho mais largo, e tem uma margem maior entre os lados da tela e a caixa do aparelho.

Na parte de baixo, o microfone e sua proteção em preto foi substituída por duas entradas ovais com grades em prata. Entre as grades e o conector do dock estão dois parafusos Philips. Não é todo dia que você encontra um produto da Apple com parafusos visíveis.

Em cima, a mudança mais óbvia é a troca da entrada para fones de ouvido: se antes era preciso usar um adaptador para ouvir música com fones de outros fabricantes, agora a entrada é compatível com qualquer fone 3,5 mm.

iPhones: o novo e o antigo

iPhones lado a lado: à esquerda, o modelo 3G.

O lado esquerdo do iPhone tem controle de volume e um botão para colocar o aparelho em modo silencioso/vibratório, como seu antecessor. Esses botões, assim como o Sleep no topo do aparelho, agora são feitos de metal, em vez de plástico preto. Esses novos botões prateados são mais difíceis de usar, e mudar para o modo silencioso mostra que o botão é um pouco mais resistente – mas isso é bom para garantir que o aparelho não entre em modo silencioso por acidente.

E ele é mais curvado e um pouco mais fino, que o iPhone original em suas extremidades. O aparelho foi feito realmente para parecer nas mãos igual ao primeiro iPhone. Sua parte de trás é recoberta por uma superfície plástica (em preto ou, no caso do modelo de 16 GB, preto ou branco) no lugar do alumínio do primeiro aparelho. Se isso é melhor ou pior é uma decisão estética, embora assumamos que a capa plástica não bloqueie tanto os sinais de radio como a superfície de alumínio. De qualquer modo, o plástico atrai muito mais marcas de dedos.

A parte traseira do iPhone é um pouco curvada, e deixa o aparelho instável ao ser colocado em uma superfície plana. A largura extra entre a tela e as bordas do aparelho torna mais confortável digitar no iPhone com dois dedos, o que torna essa experiência mais confortável.

Embora as mudanças físicas no aparelho sejam sutis – tanto que se você nunca mexeu num iPhone original nem irá notá-las  - elas são grandes o suficiente para fazer com que os acessórios (capas, docks e outros cacarecos) não sirvam para este aparelho. Então, prepare-se para gastar com novos acessórios.

É sempre difícil falar da durabilidade de um produto novo. Mas nossos amigos da PC World sacrificaram um iPhone 3G para verificar como ele se comporta. O aparelho sobreviveu a várias simulações de uso no bolso com chaves e outros objetos pontiagudos,  foi mergulhado no cereal com leite de um editor e até continuou a funcionar depois de cair no chão de uma altura de 1,5 metro algumas vezes. A tela finalmente quebrou, sem possibilidade de reparos, depois da quinta queda. Moral da história: o iPhone 3G é resistente, mas não para ser atirado longe.

iPhones

iPhones: o novo tem a traseira em preto e guarda mais marcas de dedos


Toda velocidade
O que deixa o iPhone 3G à frente do aparelho original é a capacidade de acessar redes 3G, muito mais rápida que a EDGE presente no primeiro iPhone.

Em nossos testes na rede 3G da AT&T, fizemos download de arquivos e carregamos páginas da web entre duas e quatro vezes mais rápido que na rede EDGE da operadora. É claro que nem mesmo o 3G consegue bater, em velocidade, o acesso via Wi-Fi. Baixar um arquivo MP3 de 1 MB levou 87 segundos no EDGE, 21 segundos no 3G e apenas 8 segundos por Wi-Fi.

Mais impressionante que as velocidades rápidas de download é o fato de que agora alguns recursos de internet não eram possíveis de usar na rede EDGE, mais lenta. Andei pelo centro de San Francisco ouvindo uma rádio em streaming pela rede 3G.

Aparelhos na rede 3G também conseguem fazer download de dados e realizar chamadas simultaneamente. Isso não era possível no iPhone original. Agora dá até para fazer ligações enquanto navega no Google Maps, por exemplo.

Um ponto negativo da rede 3G é que ela suga a bateria do iPhone, muito mais que no EDGE. Se isso for um problema sério para você, basta desabilitar o 3G direto no iPhone (vá a Settings | General | Network | Enable 3G para modificar a opção).  Assim, o iPhone passa a usar apenas a rede EDGE.  O 3G é a maior mudança na velocidade do iPhone novo, mas em EDGE ou Wi-Fi, as conexões têm a mesma velocidade.

Onde estou?
Outra novidade no hardware do iPhone 3G é o GPS. O telefone usa o Assisted GPS (aGPS), que usa uma ajuda da rede celular para encontrar informações mais rápido.  As torres de celular complementam os satélites para localizar a posição.

Diversos aplicativos no iPhone usam o GPS, e alguns programas à venda na App Store também. O aplicativo Maps usa o GPS para rastrear sua localização atual, representada por um ponto azul que pisca no centro do mapa.

Quando teste esse recurso pela primeira vez, não me impressionei muito. Minha localização não estava correta, e havia um atraso entre minha posição atual e a informação no telefone tinha um atraso de cerca de 30 segundos.

Entretanto, achei que os problemas iniciais eram resultado da falta de um sinal de GPS decente. Depois, em locais a céu aberto, a precisão do ponto azul melhorou, assim como havia muito menos atraso.
A câmera do iPhone usa o GPS para inserir a latitude e longitude em cada foto que você tirar (embora esse processo possa ser desligado), em um método chamado geotagging. Funcionou bem, mas encontrei um bug estranho: copiar uma imagem com geotags do iPhoto e arrastá-la para o Finder corrompeu os dados e fez com que o Flickr (que é compatível com geotagging) entendesse que meu quintal estivesse localizado em algum lugar do Mar Amarelo na China.

Aplicativo de GPS no iPhone 3G: localização nem sempre exata

A principal aplicação para um celular com GPS é aquela que fornece direções ponto a ponto para o motorista. O Maps até mostra onde você está, mas não fala quando é preciso fazer uma curva ou entrar à direita. Se você dirigir por uma área sem sinal do celular, o iPhone não vai baixar mapas do Google. Um programa que use o GPS e trace rotas precisas sem precisar usar os dados do Google será muito bem-vindo.

Voz
Se você já tentou ligar para alguém que tinha um iPhone original e caiu logo no correio de voz, sempre existe a boa desculpa de que o dono não conseguiu ouvir o telefone tocar. O alto-falante do iPhone original era um tanto discreto, o que tornou fácil perder ligações e um pouco difícil de usar o alto-falante. Eu sempre deixava o volume no máximo.

O iPhone 3G muda essa situação. O alto-falante é bem mais alto e, ao colocá-lo em seu ouvido, soa melhor. Algumas pessoas que liguei nos dois aparelhos disseram que o som do iPhone 3G era melhor.

Bateria
As especificações técnicas do iPhone 3G dizem que o aparelho aguenta até cinco horas de conversação, número que dobra quando o 3G está desligado, cinco horas de uso de internet (seis com Wi-Fi), sete horas de reprodução de vídeos, 24 de áudio e 300 horas em modo de espera. Esses números são quase os mesmos do iPhone original. Entretanto, a Apple chegou a esses resultados em condições de teste que não refletem, necessariamente, seu uso pessoal.

Testar baterias leva tempo. Ainda estamos rodando nossos testes e iremos publicar os resultados em breve. Só que já percebemos que se você usar bastante o iPhone – e agora a tentação para usá-lo mais aumentou, por conta dos aplicativos e da maior conectividade – a bateria irá embora muito rápido. Dica de um veterano de iPhone: carregue a bateria do aparelho em casa ou no trabalho, e se passa muito tempo no carro, compre um adaptador veicular também. Não dá para passar um dia completo com uma carga única.

Boa notícia: o carregador (pelo menos na versão norte-americana do produto) de bateria é um cubo minúsculo que ocupa pouco espaço na tomada. Só que para usar em tomadas internacionais é preciso usar o kit World Travel Adapter, da Apple. O bom é que o aparelho funciona em voltagens de 100 a 240 volts.

O iPhone 3G aceita apenas carga de 5 volts, parte da especificação de energia para USB. O iPhone anterior, assim como modelos antigos de iPod, podiam ser carregados pela porta FireWire, que fornece até 18 volts de energia. Logo, se você tem um carregador do iPhone original, ele talvez não seja compatível.  A Apple diz que vários fabricantes irão fornecer adaptadores para resolver esse problema.
Vale lembrar que, diferente do iPhone original, o iPhone 3G bem apenas com um cabo USB para carregar a bateria e o adaptador AC, e não mais um dock (que pode ser comprado separadamente).

Conclusão
Se você esperou por um ano pela segunda geração do iPhone, sua paciência será recompensada. O iPhone 3G melhora a qualidade de áudio do iPhone original, dá acesso a redes de dados mais rápidas e agora conta com recursos que aproveitam o GPS integrado. Além disso, ele abre as portas para um novo mundo de aplicativos feitos para o iPhone. Os usuários corporativos vão gostar dos novos recursos de sincronização com o Exchange.

Donos do iPhone original aproveitam todos os recursos do iPhone 2.0, incluindo a compatibilidade com Exchange e os aplicativos de terceiros. Se você vive em uma região com cobertura 3G e está cansado das velocidades mais lentas do EDGE, compensa fazer o upgrade para o iPhone 3G. Mas se você não se importa com a experiencia de internet no seu aparelho atual, instale a atualização para o iPhone 2.0 e continue com ele.

iPhone 3G (EUA)

PRÓ
Tela brilhante e de alta resolução, 3G, GPS, iPhone 2.0, bom áudio.
CONTRA
Câmera fraca, não faz vídeos, sem discagem por voz, Bluetooth limitado.
  • Nota da
    MacWorld:8.0

Fabricante: Apple

Preço: não divulgado para o Brasil ainda

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