Review: iPad mini entrega experiência completa de tablet

Macworld / EUA
09/11/2012 - 07h00 - Atualizada em 09/01/2013 - 17h10
Com dimensões e tela menor de 7,9", novo aparelho da Apple se destaca por pacote sólido e ótimo desempenho. Falta da tela Retina é principal ponto negativo.

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Quando o iPad estreou em 2010, muitos chamaram o aparelho de “apenas um grande iPod Touch”. Pouco depois, a maioria percebeu que afirmações desse tipo não se aplicavam ao tablet, uma vez que o iPad era muito mais que isso: mais poderoso, mais capaz, mais útil, mais tudo. Em vez de ser apenas maior do que o iPod em medidas, o tablet oferecia exponencialmente mais do que já era bom no media player.

Agora que o iPad mini foi lançado, algumas dessas mesmas pessoas estão chamando-o de “apenas um iPad menor”. Dessa vez, essa descrição faz muito mais sentido, uma vez que o iPad mini oferece quase todos os recursos e capacidade de seus “irmãos maiores”. Ele até mesmo roda todos os mesmos aplicativos. O resultado disso é um aparelho que – muito mais do que o Mac Mini, ou até mesmo o antigo iPod mini – te dá quase tudo de seu correspondente de tamanho original em um pacote menor.

Mas chamá-lo de “apenas um iPad menor” esconde muito do que torna o iPad mini um produto único.

Tamanho menor, mas toda capacidade de um iPad

Com 20 cm de altura e 13,4 cm de largura, o iPad mini possui cerca de 60% do tamanho do iPad de quarta geração. Mais impressionante ainda é que, graças a sua espessura de 7,2 mm (sim, ainda mais fino do que o iPhone 5) e peso de 300 gramas (contra 650g do iPad de quarta geração), o Mini representa apenas 46% do volume e 47% do peso do iPad tradicional. Além disso, o novo tablet traz uma tela de 7,9 polegadas (diagonais) que representa 66% da área do iPad “full size”.

Explicando de forma simples, o iPad mini te dá dois terços de um iPad com mais ou menos metade do tamanho e peso. Isso permite que o Mini seja usado em várias situações – e ocupações – em que um iPad de 9,7 polegadas não poderia. Você segurá-lo com uma mão só e guardá-lo no bolso de uma jaquete, por exemplo. Lembra daquele ditado de que a melhor câmera é aquela que você carrega com você? O melhor tablet é aquele que está com você, e já me encontrei levando o Mini a lugares em que não teria levado o modelo tradicional.

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iPad mini cabe "dentro" da tela do iPad tradicional, de 9,7"

Assim como o iPad de quarta geração, o iPad mini está disponível em três capacidades, 16GB, 32GB e 64GB, em preto ou branco. Nos EUA, o preço dos modelos Wi-Fi varia entre 329 dólares e 529 dólares, de acordo com o armazenamento disponível. Os valores das versões com rede celular ficam entre 459 dólares e 659 dólares.

Ainda não testamos as versões do iPad mini com conexão celular (3G ou 4G/LTE), que devem chegar às lojas dos EUA ainda este mês.

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"Caçula" iPad mini ao lado do irmão maior

Testes com o iPad mini

Graças ao procssador, capacidades gráficas e resolução de tela iguais as do iPad 2, o iPad mini deveria oferecer um desempenho parecido com o tablet de segunda geração da Apple. Realmente, o iPad mini se saiu exatamente igual ao iPad 2 em todos os nossos testes, com exceção de um direcionado ao carregamento de páginas web, em que o Mini superou o iPad 2 em quase 40% - provavelmente em razão das melhorias de Wi-Fi do novo aparelho.

E os meus testes “do mundo real” seguem o mesmo caminho dessas descobertas, uma vez que o iPad mini se pareceu muito com um iPad 2 para assistir a vídeos e jogar games. Com uma exceção, não encontrei nenhum problema ou atraso, mesmo com games pesados, ou ao espelhar a tela do Mini para uma Apple TV pelo AirPlay. A exceção foi com o jogo de corrida “Real Racing 2 HD”, mas apenas ao hospedar uma partida multiplayer, em que o iPad estava espelhado na Apple TV. Nesse teste, as imagens da TV “engasgaram” um pouco.

Na verdade, em alguns games mais pesados, o iPad mini – como o iPad 2 fez antes – algumas vezes conseguiu um desempenho igual ao do iPad de terceira geração em termos de manter os gráficos suaves – isso porque o iPad 3 com tela Retina precisa exibir quatro vezes mais pixels. (Já o novo iPad de quarta geração, com seu processador e capacidade gráfica melhores, consegue superar o iPad mini em praticamente todos os testes.)

Testes: iPad mini

   GeekBench  Page Load   Sunspider   WebVizBench
iPad mini  756   6.7  1.44 3.6
iPad com tela Retina (4 geração)  1764  7.1  0.84 3.7
iPad com tela Retina (3 geração)  759  10.4  1.43 2.1
iPad 2  760  11.1  1.44 1.8
iPhone 5  1623  8.2  0.92 3.6
iPhone 4S  630  10.7  1.77 1.2

Resultados do GeekBench e do WebVizBench são pontuações (números maiores são melhores). Os números do Page Load e Sunspider Smaller são tempos em segundos (menores são melhores). Os melhores resultados estão em negrito. Aparelhos de referência em negrito.

Vale notar que o iPad mini não ficou desconfortavelmente quente durante uso intenso – apenas quente, como esperado.

Em termos de duração de bateria, a Apple diz que o iPad mini pode durar tanto quanto o iPad padrão (com uma carga completa): até 10 horas em tarefas como navegação via Wi-Fi, assistir a vídeos, ou ouvir música. Ou até 9 horas de navegação na web em um conexão celular. Em nossos testes padrão de bateria, o iPad mini durou 9 horas e 20 minutos, em comparação a 9 horas e 21 minutos do iPad de quarta geração.

Um ponto interessante é que o iPad mini, na verdade, supera o iPad tradicional em uma especificação. Na parte inferior do aparelho, o usuário encontra dois alto-falantes, em vez de apenas um. No entanto, você não deve esperar muito desses alto-falantes já que não há muita separação estéro – os alto-falantes ficam muito próximos um do outro. Além disso, o áudio do iPad mini parece ser mais baixo do que o modelo tradicional, provavelmente porque os drivers dos seus alto-falantes são menores.

Outra diferença em relação aos outros iPads é que o Mini usa o mesmo padrão Nano-SIM, também presente no iPhone 5. Os iPads tradicionais utilizam o Micro-SIM, que também está presente no iPhone 4 e 4S. O Nano-SIM possui dimensões menores e já está à venda no Brasil por 10 reais – para quem não quiser gastar também é possível cortar um Micro-SIM para transformá-lo no padrão mais novo.

Sem Retina

Certamente o aspecto mais controverso do iPad mini é que, ao contrário da recente tendência de telas de alta resolução da Apple, o aparelho não possui uma tela Retina. Em vez disso, ele traz a mesma resolução de tela do iPad 2: 1024 por 768 pixels. Número bem menor do que os 2048x1536 pixels da tela presente nos iPads de terceira e quarta geração. 

Todos os aparelhos iOS originalmente foram lançados sem uma tela Retina, por isso o iPad mini está simplesmente seguindo o padrão. Mas em uma época em que todos os outros aparelhos ioS – e até mesmo alguns modelos do MacBook Pro – já fizeram a transição para telas Retina, o iPad mini larga atrás. Para quem está profundamente envolvido no mercado da Apple (ou seja, que já possui algum outro aparelho com tela Retina), essa ausência é decepcionante.

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Desde o modelo de terceira geração (foto), o iPad tradicional usa a tela Retina

Mas isso realmente importa? A resposta depende muito do seu grau de referência. A densidade de pixels do iPad mini é de apenas 163 pixels por polegada (ppi), contra 264 ppi dos iPads de terceira e quarta gerações, 326 ppi do iPhone 5 e iPod Touch 5G, 227 ppi do MacBook Pro 13” Retina, e 220 ppi do MacBook Pro 15” Retina. Se você está acostumado a uma dessas telas, a diferença é percebida imediatamente. Esse é o caso especialmente dos textos, que é mais visível, mas tudo – incluindo gráficos, imagens, elementos de interface, entre outros – parece menos nítido na tela de 7,9 polegadas do Mini.

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iPad mini é bom para leitura, mas texto não fica tão nítido quanto na tela Retina

Isso é algo certamente decepcionante para os “veteranos da tela Retina” que esperavam por um iPad mini para leitura, por exemplo. Um iPad com esse tamanho e uma tela Retina seria um aparelho quase perfeito para leitura. Até mesmo o Nexus 7, do Google, que tenho usado para essa função, oferece texto um pouco mais claro, com uma densidade de pixels de 216 ppi. (Mas vale notar que em outras áreas, como brilho, cor, e contraste, a tela do iPad mini parece melhor.)

Um lembrete importante: a maior parte das pessoas do mundo – e a maioria das que não possuem um iPad ou iPhone mais recente – nunca usou uma tela Retina. Mostrei o iPad mini para algumas pessoas que não fazem parte do “clube Retina”, e elas ficaram impressionadas com a tela do aparelho. E é para elas que a Apple está direcionando o aparelho agora, não para quem já tem os aparelhos iOS mais recentes.

(Para registro, os apps de iPhone “aumentados” ficam tão ruins no iPad mini quanto no iPad tradicional.)

É um mundo menor

Apesar de qualquer app do iPad funcionar com o iPad mini, a tela menor traz algumas consequências. Um problema é que se um app usa botões e controles especialmente pequenos, esse itens podem ficar mais difíceis de serem usados no tablet de 7,9 polegadas justamente pela área menor. Da mesma forma, o texto que já era pequeno no iPad tradicional pode ficar muito pequeno no mini. 

A Apple diz que os desenvolvedores terão a opção de direcionar seus apps para o iPad mini – o que significa que o app pode exibir uma interface diferente se detectar que está rodando em um iPad mini, assim como apps universais conseguem fazer atualmente no iPhone ou iPad. Suspeitamos que alguns desenvolvedores seguirão esse caminho para melhorar a experiência do usuário.

Também achei que algumas – mas não todas, para ser claro – páginas web ficaram “apertadas” na tela menor do iPad mini. Essa foi a mesma experiência que tive em outros tablets de 7 polegadas, o que não o torna um problema exclusivo do iPad mini. Mas com sites mais cheios de itens e/ou que usam muitos textos e links pequenos, parece mais que se está navegando em um iPhone em vez de um tablet.

Além disso, os teclados na tela do iPad mini também são significativamente menores do que os presentes no iPad tradicional. O teclado no modo paisagem (horizontal) é muito pequeno para a digitação touch precisa e confortável com dez dedos. Provavelmente, o usuário precisará ter um teclado externo adicional para conseguir isso.

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Produto ainda não tem previsão de lançamento no Brasil

Por outro lado, gostei muito do teclado do iPad mini no modo retrato (vertical). Em um iPad tradicional, esse teclado é muito pequeno para digitação com dez dedos, mas muito grande para realizar a tarefa com os polegares. No iPad mini, o teclado nessa orientação é quase perfeito: pequeno o bastante para te permitir alcançar todas as teclas, mas grande o suficiente para que você não fique tocando nas teclas erradas. Você ainda não vai querer realizar sessões mais longas de digitação nesse modo, mas ainda acho que será o preferido de muitas pessoas em vez da orientação paisagem.

Vale notar também que o iPad mini provou ser um ótimo aparelho para assistir a vídeos. Apesar de não ser uma Tela Retina e não exigir conteúdo em 1080p (até os vídeos em 720p ficam levemente escalados abaixo), mas os vídeos ficam ótimos nele – mais nítidos do que no iPad 2. E o tamanho e peso menores do Mini significam que você pode segurá-lo por mais tempo viagens longas de carro, ônibus ou avião. 

De forma parecida, o Mini tornou-se meu iPad favorito para jogar a maioria dos games. Assim como nos vídeos, as dimensões menores o tornam um aparelho mais fácil de segurar por longas sessões de game, e ele se sai especialmente bem em games no estilo árcade com botões na tela e controles direcionais.

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Smart Covers do iPad mini tem preços a partir de US$39 nos EUA

Tudo isso ainda soa com a velha definição “ótimo para consumo, não para criação”? Um pouco. Mas apesar de o iPad mini ter mostrado claramente que é ótimo para ambas as funções, penso que o tablet pende mais para o lado do consumo de conteúdo. Você usá-lo para criação, e especialmente para tarefas criativas que não exigem muita digitaçãoo, mas um iPad tradicional é provavelmente melhor para essas tarefas.

Outro ponto positivo é que meus filhos absolutamente adoraram o iPad mini por suas dimensões menores, que facilitam o uso e o deslocamento com o gadget.

Compatibilidade de acessórios

Por usar o novo conector Lightning, o iPad mini (assim como o iPhone 5 e o mais novo iPod Touch) é incompatível com os acessórios de conector dock de 30 pinos ao menos que você compre um dos adaptadores da Apple, que funcionam com a maioria dos acessórios de áudio, carregamento e sincronização.

Tirando isso, o iPad mini suporta os mesmos tipos de acessórios do iPad de tamanho tradicional.

Comprar ou não comprar

O iPad mini só parece um iPad menor porque veio depois. Se não estivéssemos familiarizados com o tablet, e alguém nos entregasse um iPad mini e um iPad de quarta geração, seria fácil pensar que o Mini era o modelo “padrão” com uma versão maior disponível para um público premium – que pode ser muito bem para onde a Apple está levando seu tablet com tela de 9,7 polegadas. Não seria uma grande surpressa se o iPad mini eventualmente se tornasse, assim como o iPod mini, o tablet mais vendido da Apple, com apenas as pessoas que realmente precisam do poder e tamanho de tela extras optando pelo iPad tradicional.

Ele é muito caro? Muitas pessoas criticam o iPad mini por ser mais caro do que seus rivais Android de 7 polegadas. A Apple já apontou que o iPad de terceira geração, que tinha preços a partir de 500 dólares (e agora foi aposentado), é o seu tablet de maior sucesso até agora, e o mais vendido no mundo com folga. A implicação disso é que as pessoas claramente não estão comprando tablets com base no preço – elas estão comprando iPads.  Do ponto de vista da Apple, o iPad mini diminui o custo de entrada para adquirir o tablet, enquanto mantém a experiência do produto e oferece uma tela maior do que seus rivais na faixa de 7 polegadas.

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iPad mini tem bordas mais finas que o modelo tradicional

E por mais que eu gostaria de ver o iPad mini com preços a partir de 199 dólares ou 249 dólares, preciso admitir que a Apple tem razão nesse ponto. Já tendo usado um dos principais rivais do iPad mini, o Nexus 7, por um longo período, penso que a combinação de melhor hardware geral, acabamento, e ecossistema iOS/iTunes Store do iPad mini fazem valer o preço premium para muitas pessoas.

Mas então eu devo comprar um? Se você já usa aparelhos com tela Retina e não acha que consegue ficar sem ela, então a resposta é não. O mesmo vale se você usa o iPad para realmente trabalhar e precisa da tela maior e de resolução de mais alta ou se tem o iPad tradicional e nunca quis algo menor. 

Por outro lado, se você possui um iPad tradicional e já pensou que gostaria de ter algo mais leve e fino, deve dar uma séria olhada no iPad mini. Ou se você ama seu iPhone, mas gostaria de ter algo maior para rodar apps do iPad, o iPad mini é inquestionavelmente maior o bastante para valer a pena ser considerado – ele realmente é um tablet, em vez de um smartphone grande. 

E se você não possui um iPad, mas está à procura de um tablet, o iPad mini merece seriamente ser levado em conta antes de você pensar em gastar mais em um tablet maior.

Resumo

Não confunda o “mini” do nome do aparelho com “lite” – com exceção da Tela Retina, o iPad menor te dá toda a experiência do iPad, incluindo o acesso a mais de 275 mil aplicativos otimizados para iPad, em um aparelho que possui cerca da metade do tamanho e peso do aparelho padrão. Os “puristas” da Tela Retina vão ficar (compreensivelmente) com o pé atrás por causa da tela com 1024x768 pixes, mas suspeito que a maioria das pessoas será conquistada pelos outros recursos do iPad mini, como desempenho, design, e qualidade de acabamento, para aceitar uma tela que é muito boa, mas não Retina.

iPad mini

PRÓ
Maior parte da experiência do iPad em pacote mais leve e fino; suporte nativo para todos os apps do iPad; ótimo desempenho, construção e design
CONTRA
Não possui tela Retina; alguns sites e apps parecem "apertados" na tela menor; teclado em modo paisagem é muito pequeno para uma digitação fácil

Fabricante: Apple

Preço: A partir de US$329 (nos EUA)

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