Será que um usuário do iPhone pode aprender a amar o Android?

Kirk McElhearn, Macworld EUA
26 de março de 2014 às 07h00
Um de nossos colaboradores troca seu iPhone por um Moto G para ver com são as coisas no “mundo Google”. E não é que ele gostou?

Uso um iPhone já há alguns anos, mas sempre tive curiosidade sobre o Android. Não porque eu não gosto do meu iPhone, mas porque eu queria saber se estava perdendo alguma coisa. Eu já havia visto como o Android funciona quando amigos me mostraram seus aparelhos. Mas dado o preço dos smartphones e tablets, não valia a pena comprar um aparelho Android só “para brincar”.

Mas alguns meses atrás a Motorola lançou um smartphone Android, o Moto G, com um preço baixo o suficiente para me tentar a comprar um, só para ver se o sistema da Gogle é melhor. Fui em frente, e a seguir conto o que descobri.

Fazendo a transição

Comprei a versão mais barata do Moto G, que no Brasil custa R$ 649. Não vou entrar em detalhes técnicos (leia o review em nossa irmã PCWorld Brasil se fizer questão deles), basta saber que é um smartphone e roda apps.

O único detalhe técnico que merece destaque é que ele tem apenas 8 GB de memória interna, com apenas 5,52 GB disponíveis para o usuário. O resto é ocupado pelo sistema operacional e seus apps. Como não armazeno músicas ou vídeos no aparelho, o espaço é suficiente para mim, mas para outros pode não ser. Há uma versão de 16 GB, porém ela custa mais caro (R$ 799). O Moto G também veio com 50 GB de armazenamento extra no Google Drive, além dos 15 GB gratuitos a qualquer um, o que é muito mais que os parcos 5 GB do iCloud.

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O Moto G é um excelente smartphone Android de baixo custo

Meu Moto G veio com a versão 4.3 do sistema operacional Android, de codinome Jelly Bean, mas foi atualizado para o Android 4.4 “KitKat”, a versão mais recente, em janeiro. Uma vantagem deste aparelho é que ele roda uma versão quase “limpa” do Android, com apenas alguns apps adicionais da Motorola, em contraste a fabricantes como Samsung ou LG que adicionam suas próprias interfaces ao sistema, mudando sua aparência e comportamento.

Como é de se esperar, um aparelho como este é centrado nos produtos e serviços da Google. Assim como um iPhone é “amarrado” ao iCloud, muitos dos apps do Moto G são dependentes de sua conta na Google.

Não foi muito difícil configurar o smartphone, nem mesmo importar meus dados já existentes. Há um app chamado Migração Motorola, que puxou meus contatos do iCloud. Você não precisa usar o GMail: é fácil configurar uma conta de e-mail no iCloud, ou em outro provedor de sua preferência, embora você tenha de informar as configurações do servidor manualmente. Sincronizar contatos e calendários foi um pouco mais difícil, mas consegui fazer funcionar: usei dois apps gratuitos, o CardDAV-Sync free beta para contatos e o Caldav Sync Free Beta para  o calendário, e tudo deu certo. Também é possível acessar contatos e calendários em um servidor Microsoft Exchange.

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O App "Migração Motorola", pré-instalado no Moto G, ajuda a migrar dados do iCloud

Não consegui migrar diretamente meus favoritos do Safari, mas se você já usa o Google Chrome no Desktop, dados como os favoritos e histórico de navegação serão sincronizados. O mesmo vale para o Firefox. Se eu quisesse, poderia ter importado os favoritos do Safari para o Chrome e sincronizado ele com o smartphone. 

A adaptação

Um fã do iOS como eu certamente precisará de alguns ajustes para se adaptar ao Android, mas consegui descobrir facilmente como fazer a maioria das coisas de que precisava, e a forma de interação não é tão diferente do sistema da Apple. Não vou entrar na discussão de “quem veio primeiro”, mas as diferenças são mínimas. Só precisei de um dia para me sentir à vontade.

Dito isto, há algumas diferenças que vale a pena mencionar.

Aparência e comportamento: comparado ao iOS, o Android me lembra um pouco o Windows XP. Os ícones não são tão refinados, e a interface me pareceu um pouco desengonçada. Mas você se acostuma a isso rapidamente. Uma coisa com a qual não me acostumei: não gostei do uso de texto branco sobre fundo preto no app de configurações, que não considero como uma combinação fácil de ler.

Cadê o “botão” Home?: para ir à tela inicial no Moto G (ou em quase qualquer Android moderno) você toca em um botão virtual na tela, em vez de apertar um botão “de verdade” como no iOS. É possível tocar este botão acidentalmente, mas na prática o achei mais confortável de usar. Já vi iPhones onde o botão Home deixa de funcionar com o tempo, e isso é um problema que não irá acontecer com o Moto G.

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O visual do Android me lembrou um pouco o Windows XP

Navegando: há três botões no rodapé da tela. à esquerda há o botão Voltar (Back), que retorna à tela anterior, mesmo que ela pertença a outro app. É muito útil, e torna a navegação muito mais rápida que no iOS. No centro fica o já mencionado Home, e à direita há um botão que abre o alternador de tarefas, para que você possa trocar entre os apps abertos. No iOS a lista de apps é horizontal, enquanto no Android é vertical, o que permite que você veja mais apps de uma só vez. E na “dock” na tela inicial há um quarto botão, centralizado, chamado “Todos os Apps” que abre uma lista com todos os apps instalados no aparelho, em ordem alfabética.

Movendo apps: achei mais fácil mover apps de uma tela para a outra no Android. Você pode deixar espaços vazios onde quiser, e pode colocar na tela apenas as apps que mais usa, deixando as outras visíveis apenas na lista de todos os apps ou por uma busca. E é possível colocar um app em mais de uma pasta. Tente fazer isso com seu iPhone.

Digitação: o Android oferece dois recursos úteis para a digitação. Um é conhecido como “Swype”, em que você desliza o dedo entre as letras para formar as palavras, em vez de tocá-las uma a uma. Eu ainda não peguei o jeito, mas já vi pessoas digitando muito rápido com esse método. O segundo são as sugestões de digitação que aparecem acima do teclado, que podem tornar a digitação muito mais rápida que o “auto-completar” do iOS.

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Enquanto você digita, três sugestões aparecem sobre o teclado. Muito prático

Apps pré-instalados: ambos os sistemas vem com um conjunto completo de apps, e não encontrei nada explicitamente “faltando” no Android. Entretanto, ao ler o guia “Android Quick Start Guide for KitKat”, da Google, notei que meu aparelho não tinha alguns dos apps mencionados, ou que tinha versões diferentes. Tais inconsistências dependem do aparelho que você tem, mas é nesse ponto que o Android perde do iOS. Esta fragmentação torna difícil descobrir exatamente o que você pode fazer com seu aparelho Android. Embora a maioria dos apps funcione em todos os aparelhos recentes, alguns funcionam de forma diferente, ou não funcionam. Também vi algumas configurações mencionadas no guia que não encontrei em meu aparelho.

Controle por voz: o Android não tem o Siri, mas há muitos comandos de voz que você pode usar para fazer o smartphone trabalhar por você.

Apps de terceiros: em sua maior parte, os apps de terceiros funcionam da mesma forma no Android que no iOS. Tentei vários apps bastante conhecidos como o Flipboard, WordPress, Waze, Evernote, Firefox, Skype, Kindle e muitos outros, e a única diferença real foi o tamanho da tela. Não tive de aprender nenhum truque novo para usá-los. Ainda assim, senti falta de muitos apps exclusivos para o iOS, como o cliente Twitter Twiterrific, o calendário Fantastical e jogos como o Letterpress.

Sincronização de conteúdo: o que ajudou a a Apple a ganhar maciça superioridade no mercado de media players portáteis com o iPod foi o iTunes, e o mesmo se aplica ao iPhone. No iOS tudo pode ser sincronizado facilmente, mas o mesmo não acontece no Android.

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Esse é o app oficial para transferência de dados entre um Android e um Mac. Nada amigável...

Embora existam apps de terceiros que eu possa usar para sincronizar conteúdo com um Mac, o app básico, chamado Android File Transfer, simplesmente mostra uma lista de arquivos e pastas na memória do smartphone, e você tem de arrastar manualmente os itens que quiser para seu Mac. A versão gratuita do DoubleTwist promete fazer a sincronia de alguns smartphones via USB, mas não do meu. Uma versão paga, por US$ 5, faz a sincronia via Wi-Fi.

No final das contas...

Há muitos pequenos pontos de comparação que eu poderia destacar, mas a principal coisa que descobri após usar o Moto G por um tempo foi que as diferenças entre o iOS e o Android não importam para a maioria das pessoas. Com aparelhos de qualidade por este preço, não hesitaria em recomendar o Android para qualquer um que não esteja amarrado ao ecossistema da Apple.

Se acostumar ao Android não demora muito, e ele é um sistema operacional maduro que faz o que a maioria das pessoas precisa. Entretanto, eu não irei migrar tão cedo: tenho muitos apps em meu iPhone que iria perder. E ainda não há uma versão de Letterpress para o Android.

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